Notícias

Atendimento da população barraconense no hospital de Dionísio Cerqueira está aprovado pelos legislativos municipais

Postada em 16/04/2014

Mediante o fechamento do Hospital e Maternidade Vera Cruz, de Barracão, que mantinha convênio com a Prefeitura Municipal e atendia a população do Município, os atendimentos hospitalares já estão acontecendo em Dionísio Cerqueira, no Hospital do Consórcio Intermunicipal da Fronteira (CIF)

 

Os projetos de lei que aprovaram o repasse das AIH (Autorização de Internamento Hospitalar) de Barracão para Dionísio Cerqueira, passando assim oficialmente o atendimento para lá, tramitaram no Legislativo dos dois municípios na última semana.

DIONÍSIO CERQUEIRA

Em sessão extraordinária realizada na quarta-feira, dia 9, o projeto esteve em discussão e foi aprovado por maioria, com um voto contrário e um voto em branco. De acordo com Gilberto Selzler, presidente da Casa, a aprovação desse projeto mostra a maturidade dos vereadores, que entenderam que esse é o caminho certo. “Ficamos felizes com essa decisão, uma vez que esse é o melhor caminho a seguir. A estratégia de saúde na nossa tri-fronteira é essa, integrada, como as demais ações que nosso consórcio desenvolve. É importante lembrar que é através do consórcio que esse investimento todo está sendo feito no hospital, bem como o repasse que será feito para custeio de despesas. Assim, tanto a população de Dionísio Cerqueira e Barracão quanto a de Bom Jesus do Sul, terá um atendimento de excelência, com profissionais qualificados e equipamentos de ponta. A Câmara teve um papel decisivo nesse processo, inclusive pautando uma reunião com os três prefeitos, onde foi definido, por exemplo, o repasse mensal de cada município, que será feito per capita, além de uma série de outros encaminhamentos”.

O Secretário de Saúde de Dionísio Cerqueira, João Carlos Sthal, pontuou que já se esperava essa decisão. “Tudo já se desenhava para isso. Nós já esperávamos que o nosso hospital se tornasse a referência e atendesse os três municípios. Mas, nossa intenção era que isso acontecesse após a conclusão total das obras, mas como houve esse imprevisto e o hospital de Barracão encerrou suas atividades, passamos a atender desde já os barraconenses, da mesma forma que vínhamos atendendo Dionísio Cerqueira e Bom Jesus do Sul”.

BARRACÃO

No município que foi palco das discussões mais aguerridas sobre o assunto hospital, a votação do projeto aconteceu na quinta-feira, dia 10, também em sessão extraordinária. Para o presidente, Arnoldo Lima dos Santos, essa foi a conclusão de um amplo debate e de muitas discussões que perduraram por muito tempo. “Nós estamos muito felizes com o resultado, uma vez que tivemos uma aprovação unânime na Casa. Nenhum vereador foi contrário ao projeto de lei que repassa o atendimento hospitalar de Barracão para o hospital de Dionísio Cerqueira. Enfrentamos muitos obstáculos nesse caminho, mas hoje encerramos com ‘chave de ouro’, pois podemos considerar que nossos objetivos de garantir o melhor para a população foram alcançados. Não podemos deixar de citar que o Hospital Vera Cruz não tinha mais condições de atender bem as pessoas e o novo hospital de Dionísio Cerqueira, que está sendo totalmente reformado através do CIF, vai atender muito bem a nossa população”.

O líder do Governo Municipal na Câmara, Aldérico Slongo, discorreu sobre a importância de aprovar esse projeto. “Nós estamos muito contentes em ver que todos os colegas vereadores tiveram esse entendimento e optaram pelo melhor, deixando de lado vaidades e pensando na nossa população como um todo. Quando o consórcio foi constituído já se pensava em um atendimento hospitalar integrado, e como o hospital de Dionísio Cerqueira era do Município, foi escolhido como a melhor opção. Então, não é de ontem que se pensa, mas essa trajetória se iniciou em 2009 e hoje mais um grande passo foi dado em prol do bem das pessoas de Barracão”.

O Secretário de Saúde de Barracão, Valdinei Batistti, disse que esse resultado era uma grande expectativa que foi alcançada. “Chegamos a um ponto onde se despolitizou a decisão e esta foi pautada pensando nas pessoas e não em grupos políticos, tanto em Dionísio Cerqueira quanto em Barracão. Por isso, ficamos muito contentes. Os barraconenses já vêm sendo atendidos em Dionísio Cerqueira desde o dia primeiro de abril, mesmo sem as formalidades legais, e se mostram muito satisfeitos com os atendimentos realizados no hospital. A partir do mês de maio será implantado o Protocolo de Manchester, que vai classificar as pessoas por gravidade para definir como será o atendimento. As urgências e emergências estão muito bem assistidas no hospital e os casos indevidos serão remetidos aos postos para o encaminhamento necessário”, explicou.

 O Prefeito de Barracão, Marco Aurélio Zandoná pontuou que a decisão foi do Conselho Municipal de Saúde. “É importante lembrar que o Hospital Vera Cruz apresentava uma série de problemas de estrutura e de ordem legal. Os valores repassados pela prefeitura eram consideráveis, mas mesmo assim o empresário que administrava achou que não era mais viável manter essa estrutura em funcionamento, gerando a polêmica acerca do fechamento do hospital. Essa decisão de passar o atendimento para Dionísio Cerqueira não foi do prefeito ou dos vereadores, foi uma decisão do Conselho Municipal de Saúde, que é deliberativo. O Conselho achou que o melhor caminho seria a pactuação com Dionísio Cerqueira e nós acatamos. Outra consideração importante é referente ao fato de que um dos nossos compromissos de campanha era fortalecer o Consórcio. Uma das principais ações articuladas pelo CIF, que é o Hospital, só foi possível graças a participação de Barracão no Consórcio. Vale lembrar ainda que nossa população será muito bem amparada, uma vez que toda a estrutura do hospital está sendo reformada e todos os equipamentos são novos. São mais de R$ 8 milhões em investimentos. Dessa forma, os barraconenses serão tão bem atendidos quanto os cerqueirenses, prova disso é que os munícipes de Bom Jesus do Sul, que há um ano já são atendidos por Dionísio Cerqueira, se mostram muito satisfeitos”, finalizou.

PROTOCOLO DE MANCHESTER

O QUE É?

O Manchester classifica, após uma triagem baseada nos sintomas, os doentes por cores, que representam o grau de gravidade e o tempo de espera recomendado para atendimento. Aos doentes com patologias mais graves é atribuída a cor vermelha, atendimento imediato; os casos muito urgentes recebem a cor laranja, com um tempo de espera recomendado de dez minutos; os casos urgentes, com a cor amarela, têm um tempo de espera recomendado de 60 minutos. Os doentes que recebem a cor verde e azul são casos de menor gravidade (pouco ou não urgentes) que, como tal, devem ser atendidos no espaço de duas e quatro horas.

O programa recebeu este nome porque foi aplicado pela primeira vez em 1997 na cidade britânica de Manchester. Esta triagem foi rapidamente implementada em vários hospitais do Reino Unido. Em Portugal, são poucos os hospitais que ainda não utilizam este sistema, que já está sendo empregado em outros países da Europa, como Espanha, Holanda, Alemanha e Suécia.

 COMO FUNCIONA?

A Classificação de Risco é realizada com base em protocolo adotado pela instituição de saúde, normalmente representado por cores que indicam a prioridade clínica de cada paciente. Para tanto, algumas condições e parâmetros clínicos devem ser verificados.

A classificação de risco deve ser executada por um profissional de nível superior, que geralmente é o enfermeiro que tenha uma boa capacidade de comunicação, agilidade, ética e um bom conhecimento clínico.

O paciente que chega à unidade é atendido prontamente pelo enfermeiro, que fará uma breve avaliação do quadro clínico do paciente utilizando o protocolo de Manchester, depois encaminha o mesmo para o local de atendimento. A classificação é feita a partir das queixas, sinais, sintomas, sinais vitais, saturação de O2, escala de dor, glicemia entre outros. Após essa avaliação os pacientes são identificados com pulseiras de cores correspondentes a um dos seis níveis estabelecido pelo sistema.

A cor vermelha (emergente) tem atendimento imediato; a laranja (muito urgente) prevê atendimento em dez minutos; o amarelo (urgente), 60 minutos; o verde (pouco urgente), 120 minutos; e o azul (não urgente), 240 minutos.